MANIFESTO: SOU DESIGNER

Por Lucas Leite –  Chief Experience Officer da Digital Business.

Desde que a “web” se popularizou, a área de tecnologia e design foi sendo criada de maneira orgânica, e acabou sendo definida aos poucos pelas empresas que fazem parte desse meio. Não temos (ainda bem) regulações que nos definem, nem tampouco um livro único de regras (ainda bem, novamente). Isso nos dá liberdade para definir, mas nos gera dilemas simples e bobos.

Tenho certeza que um médico, após se formar, não fica com um dilema: quem eu sou? Ele é médico. Pode se especializar e ser um pediatra. Mas, na essência da profissão, é médico. Pediatra é uma especialização, algo que ele estudou a mais. Mas, se precisar, ele é médico.

Há 15 anos (quando eu comecei a trabalhar), os papéis em uma agência eram definidos como: Diretor de Arte e Webdesigners. O Diretor de Arte, um nome herdado das áreas de direção de criação, era também conhecido como o “Designer Mais Experiente”. 

O WEBDESIGNER DE OUTRORA

O Webdesigner era a pessoa que às vezes vinha do HTML, arranhava alguma coisa de criar um “site do zero”, mas que “conhecia Fireworks”. Algumas agências mais moderninhas começaram a ter o papel de Arquitetos de Informação, que eram analistas que desenhavam Wireframes e escreviam Documentos de Especificação. Alguns vieram dos Webdesigners, alguns eram uns malucos de TI com um pouco mais de noção de diagramação, outros eram jornalistas entediados. Lembram como a vida era simples naquela época? =)

O mundo evoluiu, alguns dizem que gourmetizou, a ponto de termos empresas e áreas especializadas no que se convencionou a chamar de Experiência de Usuário (como nós!). Quando definimos que a La Republica – uma das empresas do grupo Digital Business – iria focar nisso, que era nosso core business, para mim sempre foi muito claro o processo entre Analisar-Prototipar-Desenhar. Todos os projetos que eu trabalhei seguiam essa lógica básica, e para mim fez muito sentido. Eu sempre trabalhei com Análise, trabalhei com Prototipação e o meu sócio era fera no item “Desenhar”. Pronto, It’s a Match!

OS DESAFIOS

Aos poucos, e a cada novo projeto que iniciamos e aprofundamos o entendimento, vimos que a vida não era esse preto-no-branco. Existe muito mais cinza por aí. As fronteiras entre uma coisa e outra não são tão delimitadas como eu imaginava há 5 anos.

Algumas empresas nos contratam basicamente por nossa capacidade de análise. Outras preferem manter esse “criativo” dentro de casa, mas precisam de braço pra prototipar. Outras já passaram por essas etapas no projeto, e agora o que tem é que desdobrar. Ou, o projeto já existe, tem que evoluir ele. Análise? Do que mesmo?

Além disso, o outro desafio: o mercado evoluiu muito nos nomes de “profissão”, formas de vender esse tipo de profissional. Às vezes, por uma questão óbvia de segmentação, o time cresceu e precisa que mais pessoas sejam específicas. Às vezes, é para criar o seu lugar no mundo mesmo. UX. UX Designer. UX/UI Designer. Interface Designer. Interaction Designer. Visual Designer. UX Researcher. Digital Product Designer. Socorro Designer.

É UX/Designer alguém que não fez 1 protótipo na vida? UX é Experiência de Usuário, experiência agora é protótipo?. É UI/Designer alguém que só desenha protótipos? UI é User Interface, um protótipo não é uma interface? O que é experiência de usuário? É a experiência como um todo, experimentar ou ambos? O que é interface? É a tela final, é o protótipo ou é aquilo com que temos contato? Isso não pode ser um WhatsApp? O que é design?

DEFINIÇÕES E CONCEITOS

Vamos a fundo, então, no que é experiência?

Experiência
Substantivo feminino. Etimologia (origem da palavra experiência). Do latim experientia.ae.
1  Experimentação, experimento (método científico).
2  Qualquer conhecimento obtido por meio dos sentidos.
3  Forma de conhecimento abrangente, não organizado, ou de sabedoria, adquirida de maneira espontânea durante a vida; prática.
4  Forma de conhecimento específico, ou de perícia, que, adquirida por meio de aprendizado sistemático, se aprimora com o correr do tempo; prática.
5  Tentativa, ensaio, prova.

Estamos usando o conceito, então, de que a experiência de usuário é a técnica (ou filosofia?) que procura soluções, primando pelo melhor uso por parte de nossos amados seres humanos. Correto?

Nesse caminho de raciocínio, entendo e acredito que podemos estabelecer, portanto, que UX não é uma hard skill, ou uma skill técnica. U.X., user experience, experiência de usuário, é algo que procuramos ter em todos os projetos. Não é um profissional (olá, eu sou o UX), nem tampouco uma área da empresa (olá, esses são meus UX). Porque o profissional que não faz protótipo, apenas interfaces em Photoshop, também tem que primar pela experiência do usuário. Assim como o programador.

Isso é uma discussão imensa na área e não existe ainda um consenso a respeito. Clientes ainda ligarão pedindo por UX. Receberemos orçamentos pedindo por horas de UI. De DA.  De Design. Mas, e o conceito de design?

Design

Substantivo masculino. Etimologia (origem da palavra design). Do inglês design, “desenho, projeto”.
1 Disciplina que visa à criação de objetos, ambientes, obras gráficas etc. que sejam ao mesmo tempo funcionais, estéticas e estejam em conformidade com as demandas da produção industrial.
2 Conjunto de objetos criados sob tais critérios.
3 Criação gráfica e esquemática que representa algo, especialmente tendo em conta sua estrutura física.
4 Aparência exterior de um produto; representação física de algo.
5 Planificação de algo a ser criado; plano, projeto.

Posso estar enganado, mas essa definição de design do dicionário  (https://www.dicio.com.br/design/) resume todos os projetos que fizemos nos últimos tempos. Inclusive os que só envolveram wireframes. Porque eles também eram “ambientes, obras gráficas etc. que sejam ao mesmo tempo funcionais, estéticas e estejam em conformidade com as demandas da produção industrial, não?

SIM, VOCÊ É DESIGNER!

Precisamos, para que essa angústia-nossa-de-cada-dia-nos-dai-hoje passe, nos definirmos e nos colocarmos em caixinhas. Por que? Porque é mais fácil de explicar quem somos. É mais fácil de vender. É importante para sabermos nosso papel no mundo. É mais fácil de explicar para a sua mãe.

Então, você que se chama apenas de UX/Designer, de UI/Designer, de U-Que-Desejar-Designer, não esqueça que seu papel no mundo é ser o chato. Aquele que pensa, desenha e planifica o que precisa ser feito é, antes de tudo, Designer.

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