Dia Internacional da Mulher – A igualdade de gênero, no mundo, deverá ser atingida daqui a 135,6 anos.

Um pouco da história da luta de nossas antepassadas

Faz 47 anos que a ONU oficializou a data, mas a busca pela igualdade vem desde 1909, quando ocorreu a grande passeata das mulheres, em 26 de fevereiro, em Nova York. Naquele dia, cerca de 15 mil mulheres marcharam nas ruas da cidade por melhores condições de trabalho. Em 1910, durante a II Conferência Internacional de Mulheres Socialistas na Dinamarca, uma resolução para a criação de uma data anual para a celebração dos direitos da mulher foi aprovada por mais de cem representantes de 17 países. O objetivo era honrar as lutas femininas e, assim, obter suporte para instituir o sufrágio universal em diversas nações. Contudo, foi em 8 de março de 1917, quando aproximadamente 90 mil operárias manifestaram-se contra o Czar Nicolau II, contra as más condições de trabalho, a fome e a participação russa na guerra – em um protesto conhecido como “Pão e Paz” – que a data consagrou-se, embora tenha sido oficializada como Dia Internacional da Mulher, apenas em 1921. Somente mais de 20 anos depois, em 1945, a Organização das Nações Unidas (ONU) assinou o primeiro acordo internacional que afirmava princípios de igualdade entre homens e mulheres. Nos anos de 1960, o movimento feminista ganhou corpo, em 1975 comemorou-se oficialmente o Ano Internacional da Mulher e em 1977 o “8 de março” foi reconhecido oficialmente pelas Nações Unidas.

No trabalho

De acordo com pesquisa do IBGE, em 2019, as mulheres receberam, em média, 77,7% do montante recebido pelos homens. Essa desigualdade é ainda maior nas funções e nos cargos que asseguram os maiores salários. É urgente a necessidade de ser discutida e implementada a paridade salarial. É absurda a ideia de que homens e mulheres, ocupando o mesmo cargo e tendo as mesmas responsabilidades, recebam salários desiguais somente devido ao seu gênero. Outra questão muito preocupante ainda é o assédio sexual no trabalho. Uma pesquisa do LinkedIn, em parceria com a consultoria Think Eva, realizada em 2020, mostrou que 47% das mulheres já passaram por esse tipo de constrangimento no trabalho.

“É urgente a conscientização sobre o machismo e assédio no trabalho, com medidas duras para a coibição e perpetuação dos mesmos, já que esses atos impedem as mulheres de alcançarem cargos de liderança e fomentam a demissão de mulheres quando no exercício da maternidade – na compreensão que elas ‘não dão conta’ do trabalho e/ou que deveriam se dedicar exclusivamente à criação dos filhos, impossibilitando a criação de uma cultura de acolhimento à nova realidade dessas funcionárias.” (Ana Beatriz Coutinho – graduada em História pela UniRio e especialista em Gênero e Sexualidade -IMS/Uerj)

Comemorar o quê, exatamente?

A cada 8 de março, as mulheres trazem à tona questionamentos sobre as homenagens que recebem apenas nessa data. Em todos os dias do ano, o gênero feminino é o principal alvo da violência e da desigualdade. Em pleno século 21, ainda precisamos ler e conviver com esse tipo de declaração:

“Quem segura a sociedade africana são as mulheres. Ainda hoje, eu, que sou uma mulher velha, quando chego ao meu vilarejo tenho que me abaixar quando vejo um homem, em sinal de respeito. Pode ser qualquer um, até mesmo um bêbado.” Paulina Chiziane – escritora moçambicana, ganhadora do Prêmio Camões 2021. 

Como o 8 de março deve ser encarado

De acordo com a Agência Câmara de Notícias, em julho de 2021, o Brasil ocupava a posição de número 140, no que se refere à participação feminina, em ranking que contempla 192 países pesquisados pela União Interparlamentar. O país está atrás de todas as nações da América Latina, com exceção do Paraguai e do Haiti. Um estudo feito pela economista Laísa Rachter, pesquisadora do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (Ibre/FGV), mostrou que mulheres ganham 19% menos que homens e, nos cargos mais altos, a diferença é de mais de 30%.

“O 8 de março deve ser visto como momento de mobilização para a conquista de direitos e para discutir as discriminações e violências morais, físicas e sexuais ainda sofridas pelas mulheres, impedindo que retrocessos ameacem o que já foi alcançado em diversos países.” ( Maria Célia Orlato Selem, mestre em Estudos Feministas pela Universidade de Brasília e doutoranda em História Cultural pela Universidade de Campinas -Unicamp. )

“Certamente, o 8 de Março é um dia de luta, dia para lembrarmos que ainda há muitos problemas a serem resolvidos, como os da violência contra a mulher, do feminicídio, do aborto, e da própria diferença salarial. Mesmo depois de décadas de protestos, a evolução foi muito pequena.” (Eva Alterman Blay – socióloga e professora universitária brasileira)

Neste 8 de março, qual o seu desejo? 

Não queremos só flores, queremos igualdade!

Não é (só) sobre flores, é sobre luta. O Dia Internacional da Mulher nasceu como símbolo de uma luta histórica por igualdade de gênero, que, infelizmente, está distante de terminar. Dados do Relatório de Desigualdade Econômica de Gênero 2021, divulgados pelo Fórum Econômico Mundial (WEF), apontam que a igualdade de gênero, no mundo, deve ser atingida daqui a 135,6 anos.

Convidamos nossas colaboradoras a expressarem seus desejos, propondo uma reflexão sobre todo caminho que ainda precisa ser trilhado para o alcance desse objetivo.

Meu desejo é que meu gênero não determine meu salário.” (Janaína)

Um estudo feito pela economista Laísa Rachter, pesquisadora do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (Ibre/FGV), mostrou que mulheres ganham 19% menos que homens – no topo, a diferença é de mais de 30%.

Eu desejo ver mais mulheres ocupando a área de tecnologia.” (Anne)

Números apresentados pela Associação Brasileira de Tecnologia (BRASSCOM) mostram que o percentual de ocupação feminina no mercado de tecnologia é de 20%.

Eu desejo maior representatividade feminina na política, precisamos de mais mulheres no poder!” (Thayara)

De acordo com a Agência Câmara de Notícias, em julho de 2021, o Brasil ocupava a posição de número 140, no que se refere à participação feminina, em ranking que contempla 192 países pesquisados pela União Interparlamentar. O país está atrás de todas as nações da América Latina, com exceção do Paraguai e do Haiti.

Eu desejo não ter minhas falas interrompidas por homens, e que não queiram me explicar o óbvio.” (Monique)

São situações tão comuns que ganharam nomes: manterrupting, fenômeno que reflete a crença que as mulheres valem menos, socialmente, que os homens, e que as vozes deles são mais importantes; e mansplaining, quando um homem explica coisas óbvias à mulher, de um jeito condescendente e desmerecedor, como se ela não fosse intelectualmente capaz de entender.

Meu desejo é que meu gênero não esteja associado às minhas oportunidades profissionais.” (Vitória)

De acordo com os dados da Pnad, divulgados pelo IBGE, no 1° trimestre de 2021, a taxa de desemprego entre as mulheres era de 17,9%, enquanto a taxa entre os homens ficou em 12,2%.

Eu desejo ver cada vez mais mulheres em cargos de liderança, nós sempre fomos capazes.” (Carolina Finkler)

De acordo com o Relatório Global de Gênero do Fórum Econômico Mundial, publicado em 03/2021, 61,9% das mulheres e 80,1% dos homens compõem a força de trabalho, sendo que elas representam 39,4% dos cargos de gestão no país.

Eu desejo o fim do assédio no trabalho e em todos os lugares.” (Gabriele)

Uma pesquisa do LinkedIn, em parceria com a consultoria Think Eva, realizada em 2020, mostrou que 47% das mulheres já sofreram assédio sexual no trabalho.

Eu desejo que os pais também sejam perguntados: quem cuidará do seu filho enquanto você trabalha.”(Lia)

De acordo com o estudo Estatísticas de Gênero, divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) em 2021, apenas 54,6% das mães entre 25 e 49 anos, que têm crianças de até três anos em casa, estão empregadas. Entre os homens, a proporção é de 89,2%. 

Eu desejo que o mercado de trabalho valorize o potencial de mulheres maduras como eu e nos dê mais espaço.”(Beatriz Dantas)

De acordo com os dados do Ipea, 57% da população economicamente ativa no Brasil terá mais de 45 anos em 2050. 

Eu desejo que sejamos todos grandes aliados na busca pela igualdade de gênero.” (Ana Luiza)

A igualdade de gênero faz parte dos 8 Objetivos de Desenvolvimento do Milênio para erradicação da pobreza, e dos 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, estabelecidos pelos 191 países, membros da Organização das Nações Unidas – ONU, ou seja, é uma problemática global, que demanda a participação de toda sociedade para a sua resolução.

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