A Cultura de Inovação – parte III

Como se “instala” a Cultura de Inovação nas pessoas?

Cultura de Inovação é sobre nós, pessoas, o problema somos nós. Como mudar pessoas, para deixá-las mais tranquilas com esse pensamento de desafiar o status quo ou de lutar contra os anticorpos, como foi colocado anteriormente?

O termo transformação digital virou quase uma moda. Na verdade, não significa absolutamente nada. Por quê? Porque não se está falando de digitalização de processos, de pegar o que está no papel e colocar no computador. Esse procedimento já é feito há mais de 20, 25 ou 30 anos. No final das contas, está se falando em mudar a cabeça das pessoas. Transformação digital, tudo aquilo que se realiza, que se produz, depende de pessoas.

Sucesso das Start-ups só com equipes de qualidade

As Startups só terão sucesso se conseguirem construir equipes de qualidade mundial, que se destacarão, que conseguirão sobreviver aos altos e baixos daquela jornada. E quando falamos nesse tema “transformação digital”, é exatamente pegar pessoas com as quais trabalhamos e tentarmos mudar as suas cabeças, para que elas abracem a diversidade, encarem modos diferentes de trabalhar, que possam se dar o direito de tentar fazer algo que pode dar certo ou errado. Se der certo, amplia, caso contrário, deixa de lado e vai fazer outra coisa. Trata-se muito mais de uma mudança de mindset.

Mudança de mindset e velocidade

Além dessa mudança de mindset, a questão “velocidade” é importante nesse assunto da Cultura da Inovação e transformação digital, porque o mundo está exigindo isso. Tudo está mudando cada vez mais rápido. Se tomarmos como exemplo o que ocorreu em 2020 e que persiste em 2021, com essa pandemia, observaremos o quanto as empresas necessitaram e ainda precisam se adaptar e trabalhar diferente.

Dentro deste contexto, tudo tem pouco a ver com transformação digital e muito mais com a cultura, com o tipo de comportamento a ser estimulado e ensinado no dia a dia de uma companhia. De uns tempos para cá, o maior ponto de sucesso de uma empresa reside no fato dela ter ou não uma Cultura de Inovação. Todavia, como tornar isso tangível para as pessoas? Quais são os gatilhos? Aonde você muda? E talvez aonde você perde se você não mudar? Dependerá muito de cada empresa e de cada cultura.

Neste sentido, é crucial entender o seguinte: se a empresa não mexer nos incentivos que as pessoas recebem, no seu modo mais amplo, dificilmente haverá mudança de comportamento. A mudança parte das pessoas por meio de comportamentos diferentes. Se não tocarmos nesse ponto nevrálgico, a empresa não sairá do canto.

Ninguém inova sozinho, trabalhar a inteligência coletiva é o caminho

Incentive os seus colaboradores a trabalharem juntos e a praticarem a criação coletiva, visto que essa troca de ideias e de opiniões fará toda a diferença. Quando falamos que determinada empresa pratica uma Cultura de Inovação, significa que ela tem uma gestão e lideranças focadas na criatividade de suas equipes, que dão autonomia e permitem o seu brainstorming. São organizações que acreditam que a inovação não vem apenas das lideranças, mas também de qualquer colaborador. Estão abertas ao novo, às tendências do mercado, à otimização de processos, encontrando modos de reduzir custos, de aumentar a produtividade e de gerar resultados mais inovadores e efetivos.

Sob essa ótica, a cultura precisa estar presente em cada processo, em cada ação e entrega de todos os setores de um negócio, bem como nos conceitos, valores, princípios, normas internas e na missão da empresa. Dessa maneira, é possível garantir uma postura inovadora e contribuir para que os resultados sejam diferentes dos que são encontrados em negócios que possuem uma postura conservadora.

Trabalhar pessoas é a grande resposta

Muitas empresas ainda se valem da cultura do medo, existem mais chefes do que líderes. As pessoas não conseguem, necessariamente, ser o que são quando vestem a capa profissional. E o máximo do potencial do ser humano vem quando um indivíduo consegue ser o que ele realmente é. Soltar a ideia, poder falar uma grande besteira e depois corrigi-la na inteligência coletiva. Então, é preciso criar esse clima, matar a cultura do medo, estimular a criatividade, estimular a inteligência coletiva, a criatividade expandida. Quando se consegue trazer esses valores para o dia a dia da empresa e para a sua cultura, desmistifica-se a questão de ter ideias, de testar hipóteses, entender que elas não funcionam muitas vezes e que outras são fantásticas e outras extraordinárias e, em qualquer momento, encontra-se o ovo de Colombo.

É preciso trabalhar a cultura de uma organização, os seus processos e que estes tragam agilidade. Processos que, muitas vezes, não são a solução, mas uma hipótese de solução que necessita ser testada, visto que pode ser realmente uma boa ideia ou não. A maneira de liderar e de estimular os colaboradores é o segredo para criar, de fato, uma cultura inovadora e, desse modo, levar a empresa não só a inovar com frequência, mas a chegar na inovação disruptiva.

Liderança x medo

Tudo está fortemente relacionado ao tipo de líder de uma empresa. Qual é a atitude de um verdadeiro líder? Ele precisa resolver, primeiramente, os seus próprios medos, com relação a inovar?

Uma boa liderança é aquela que cria uma Cultura de Inovação favorável ao risco, que não fique só punindo o erro. É uma tarefa deveras espinhosa. Não adianta o CEO criar a área de inovação, fazer e acontecer, se ele não puder contar com a colaboração das lideranças.

Cultura de Inovação x transformação digital básica

Quando se fala de Cultura de Inovação numa empresa de tecnologia, é muito mais fácil. Agora, em uma indústria pesada, é necessário mudar a cultura de um setor inteiro. Nada fácil.

Por outro lado, não adianta colocar um curso de inovação de oito horas para os colabores fazerem e sair espalhando que a “sua” empresa tem uma Cultura de Inovação, ou aplicar fundos em uma Start Up e dizer que está inovando. Quantas empresas ainda nem conseguiram a sua transformação digital? Como querem ter uma Cultura de Inovação se nem conseguiram realizar uma inovação básica? Nesse ponto, uma boa liderança fará toda a diferença.

A grande responsabilidade das lideranças

Os líderes assumem uma responsabilidade enorme na implementação da Cultura de Inovação. Eles são os responsáveis por dar o exemplo, levar essa filosofia para as suas ações e fazer com que os profissionais da empresa sejam motivados a sempre buscarem soluções e melhorias.

Além disso, é importante que esses profissionais saibam estimular a inovação de cada liderado. A postura inovadora deve partir de cima, e com a adoção de uma gestão pautada na inovação de cada atividade, a equipe tende a se comportar do mesmo modo, até que se torne um padrão.

Escutar e assimilar cada ideia, acompanhar tendências, estimular novos conhecimentos, questionar em vez de ordenar e incentivar a criação são algumas ações percebidas em gestores que carregam uma postura inovadora.

Show CommentsClose Comments

Leave a comment

5 − um =