Competição, Colaboração e Transformação digital em tempos de crise

Por Ricardo Abel – CEO Digital Business

Todos estamos cientes da atual crise econômica e política que passa nosso país em função da pandemia do coronavírus, e com isso a agravante redução de negócios, além da descontinuidade de diversas empresas.

Destas perdas muitas vezes ocasionadas pela falta de preparo das organizações para esta crise jamais vista, mas também pela falta de competitividade das mesmas perante a sua concorrência.

Conversando com empresários e clientes do setor de tecnologia da informação e comunicação, vejo alguns questionamentos, muitas vezes em forma de lamento, de como algumas empresas conseguem competir em plena crise, muitas vezes por não saber como estas empresas conseguiram condições competitivas, as quais elas mantiveram o negócio e cresceram neste momento de crise.

Grandes empresas desses setores sofrem muito pela estrutura que possuem hoje, herdada das grandes bonanças ocorridas nos anos passados e com isso criaram verdadeiros castelos de estrutura operacional, onde mantê-los com esta crise não é tarefa fácil, muitas vezes quase inexequível.

Vejo que além de estarmos passando por uma crise econômica e política, estamos passando por uma transição de mercado, isto é, o que era não voltará a ser de novo.

Nada será como antes da crise

Tudo será diferente, onde antes as empresas planejavam uma estratégia de mercado focada em ser melhor que a concorrência para obter mais clientes, hoje o mercado está retraído e os clientes estão comprando diferente, de forma austera e muito focada, onde preço e qualidade são fatores que andam juntos, tornando este desafio muito mais complexo.

Procurei identificar e conversar com estas empresas onde a crise não chegou tão forte, e fiquei feliz ao verificar a forma de “competir” que estas empresas estão encarando no mercado. Sim elas competem, e muito, estão tomando muito trabalho de gente grande, mas de forma “colaborativa”.

O momento é de colaboração

Parece soar estranho quando um empresário diz, “eu colaboro com meus concorrentes de mercado”. Na verdade este comportamento está sendo um dos segredos para que empresas tenham se diferenciado, pois são mais leves, enxutas, especialistas e rápidas, bem diferente de grandes estruturas generalistas.

Imagine compartilhar sua estrutura física com outras organizações, esse comportamento tem se tornado cada vez mais comum para startups e pequenas empresas, além de compartilhar seus serviços e estruturas básicas, a fim de não sobrepor várias estruturas e serviços que são onerosos em um momento de vendas mais lentas, isso custa muito dinheiro do seu fluxo de caixa e da sua margem por consequência.

Esqueça a competição tradicional

Hoje a forma de competir tradicional se torna um fator de risco, de perda de competitividade, principalmente devido ao custeio e ao processo de inovação. Esta transformação, digital e gerencial, está fazendo as empresas pensarem diferente, de forma que tendem a desmaterializar/desmonetizar através da digitalização das suas estruturas, focando na especialidade e gestão, acelerando a redução de seus custos, bem como aproximando o custo e a qualidade para seus clientes.

Ao momento que sua empresa sai de um modelo de gestão linear, extremamente competitivo e com muita escassez, no qual todo o custo é seu, e passa para um modelo distribuído, altamente colaborativo, abundante e exponencial (imagine rachar a conta de determinadas despesas com vários). Você coloca sua empresa em um patamar diferenciado com muita agilidade e flexibilidade, além da nova rede de parceiros geradores de novos negócios.

Um olhar especial do RH

Além das ações citadas acima, verifiquei um trabalho estratégico em recursos humanos, sabemos que grandes organizações já se atentam para este tema, mas em pequenas e médias é um tema recente que requer um investimento considerável.

Estas organizações contratam e formam líderes sem parar, garantindo sua cultura organizacional intrínseca nas equipes, os resultados dessas normalmente geram mais negócios.

O modelo do futuro

Vemos estes modelos no exterior de forma mais acentuada, em nosso país este modelo já existe, mas com muita resistência de alguns grupos, que infelizmente ou felizmente, estão obrigando a considerar esta lógica para a sustentação de seu negócio neste novo momento do mercado.

A própria Digital Business é fruto deste recente modelo, pois devido às oportunidades de negócios gerou um grupo de 4 empresas especialistas em produção digital, no qual compartilhamos estrutura e gestão para dar foco ao atendimento especializado, ágil e competitivo aos nossos clientes – muitos que para alguns seriam concorrentes, mas para nós são parceiros de negócios, que contribuem para um ecossistema de negócios.  

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