Distanciamento físico: conflito ou oportunidade?

Por Gabrielle Foletto – Consultora de RH Estratégico

A pandemia acelerou uma realidade que já rondava as empresas há muito tempo: o trabalho remoto (home office). A maioria dos colaboradores demonstravam gostar da ideia, mas algumas lideranças tinham algumas resistências e, com razão. A distância física no dia a dia adiciona algumas barreiras nessa relação entre líder e liderado, além das tantas que podem existir naturalmente. Além dos ruídos na comunicação, hierarquia, cobranças, desmotivação, ainda há a falta de olho no olho.

HOME OFFICE. CONFLITO? OPORTUNIDADE!

Então o distanciamento físico no trabalho – resolvido com o tão falado home office – traz só conflitos? Eu não vejo assim. Percebo que o home office aumenta e enfatiza situações já existentes na dinâmica de trabalho. Se o líder já não tinha o costume de olhar para seu time e enxergar o que não está sendo dito no presencial, com o home office isso ficará mais evidente. O mesmo vale para a falta de comunicação, seja em temas de trabalho ou pessoais. Caso o líder já criasse um distanciamento hierárquico entre ele e seus liderados, falando apenas de trabalho quando necessário, a distância só aumenta com a falta de contato presencial diário.

Ou seja, o trabalho remoto não é causador de nada; é, no máximo, um catalisador de situações que já estavam na iminência de acontecer ou já eram realidade na equipe. Ele é uma forma de trabalho, não o vilão das relações. Como sempre, a responsabilidade de ressignificá-lo cabe ao líder. Eu mesma já trabalhei em uma equipe remota, minha liderança trabalhava na matriz e eu na filial, e nunca me senti sozinha. A comunicação era diária, possivelmente mais frequente do que se trabalhássemos no mesmo ambiente, mas logo já nos sentíamos próximas e conhecidas.

CONFIANÇA É A PALAVRA-CHAVE

Qualquer relação precisa de confiança – este é o objetivo a ser atingido. O meio para estabelecê-la pode variar. Ligação com vídeo, uma mensagem no meio da tarde com um “olha isso, lembrei de você”, um almoço, café ou happy hour, um jogo interativo e simultâneo, uma conversa genuinamente interessada no outro ou tudo isso junto, cada ação quando for possível. O que não dá é deixar a relação esfriar, distanciar e perder a confiança – e isso independe do estilo de trabalho.

Fica aqui meu convite aos líderes a encararem o distanciamento físico como uma oportunidade de recomeçar ou testar novas possibilidades. “O que eu não fazia antes e devo começar a fazer? E como posso fazer considerando o home office?”. As ferramentas que facilitam a aproximação digital são tantas que nem cabe citá-las aqui. Quando nos dispusemos, verdadeiramente, a resolver o problema, adivinha o que acontece? Encontramos soluções. Que tal começar agora? Conte comigo para trocar ideias.

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