A TECNOLOGIA NO CONTROLE DA PANDEMIA

Soluções digitais adotadas pelo governo gaúcho possibilitam a mitigação do avanço do coronavírus no estado – Por Rosani Sartori – Analista de Marketing Digital e Conteúdo da Digital Business

A humanidade ainda não consegue dimensionar os impactos e consequências da pandemia do novo coronavírus. Estamos falando de um evento inédito na nossa geração. Já vivemos situações parecidas no passado, mas o mundo era outro, com menos conexão e integração entre pessoas e países, e com menor densidade demográfica. Mesmo assim, impossível não relacionar a COVID-19 com a gripe espanhola, pandemia do vírus influenza que infectou cerca de um quarto da população mundial no início do século passado. As semelhanças são muitas e vamos falar sobre isso no texto. Mas a grande diferença entre as pandemias está sendo o uso da tecnologia como aliada no combate à propagação do vírus.

PARCERIA E TECNOLOGIA

Tudo é novo, as lacunas de informação e conhecimento ainda são grandes. Mas muitos dos problemas têm sido controlados com o auxílio da tecnologia e o reconhecimento do valor da informação. Algoritmos, sistemas integrados e testes de campo são capazes de tornar as informações sobre nós mesmos uma grande aliada do Estado na tomada de decisões, que impactam diretamente no sistema de saúde e na economia local. Ou seja, as soluções digitais estão ajudando nos mais variados desafios que a crise nos impõe.

Foi com esta visão que o governo do Rio Grande do Sul, através da Procergs (Companhia de Processamento de Dados do Estado do Rio Grande do Sul) e do trabalho voluntário da Digital Business, implementou ferramentas digitais capazes de monitorar o avanço do vírus e a capacidade de atendimento hospitalar, fazendo com que o Estado tenha um dos melhores resultados no controle à pandemia do país, servindo de modelo para outras regiões. Um trabalho desenvolvido em tempo recorde e de forma totalmente remota. “Casos como pandemias requerem ações e entregas rápidas, e somente através da tecnologia e de parcerias é que conseguiremos prover soluções para o governo e para a população”, diz José Leal, Diretor-Presidente da Procergs.

Os dois projetos desenvolvidos pela Digital Business são considerados cases de sucesso desse governo que chegou para ser digital.

MONITORAMENTO COVID-19 – INTERNAÇÕES HOSPITALARES

Tecnologia, informação e transparência. O dashboard desenvolvido tem como objetivo o monitoramento da capacidade de atendimento dos hospitais, o diagnóstico de casos e óbitos. É um mapa de leitos que mostra, em tempo real, a ocupação e capacidade instalada, tanto de leitos clínicos quanto de UTIs, em hospitais públicos e privados, e o número de respiradores disponíveis.

A partir desse conjunto de dados é possível visualizar como está a situação de atendimento de cada região, auxiliando na tomada de decisão.

MODELO DE DISTANCIAMENTO CONTROLADO

Nesse site, o estado foi dividido em 20 regiões com sistema de bandeiras, protocolos e critérios específicos a serem seguidos pelos diferentes segmentos econômicos, e que variam de acordo com a velocidade da propagação da COVID-19 e a capacidade de atendimento hospitalar de cada região. São 11 indicadores que determinam a classificação das bandeiras, como número de novos casos, óbitos e leitos de UTI disponíveis, entre outros.

O monitoramento é semanal, e a divulgação das bandeiras – nas cores amarela, laranja, vermelha ou preta – é feita aos sábados, com validade a partir da segunda-feira seguinte, determinando o grau de risco em saúde em cada região e os protocolos a serem seguidos. Isso permite a ação do governo no relaxamento – ou não – do isolamento social e retorno às atividades econômicas. A qualquer momento a cor da bandeira poderá mudar conforme o avanço da pandemia e os riscos de contaminação.

UM POUCO DA HISTÓRIA: A GRIPE ESPANHOLA

1918. Surge a gripe espanhola, que de espanhola não tinha nada, afinal, começou no Kansas/EUA, a partir de recrutas americanos que foram lutar na primeira guerra e voltaram contaminados, sem saber. E, claro, ela chegou ao Brasil. Conforme Eduardo Bueno, jornalista e escritor, em novembro de 1918 aportou um navio da Divisão Naval Brasileira de Guerra em Recife e a bordo cinco marinheiros contaminados, que espalharam a gripe por Recife e para o norte do país. Mas eles apenas contribuíram para disseminar o vírus. Antes disso, no mesmo porto, em 17 de setembro de 1918, chegou um navio britânico chamado S. S. Demerara, procedente de Liverpool, com a tripulação totalmente contaminada pela gripe espanhola. Sem nenhum controle das autoridades de saúde, e sem nenhuma fiscalização, ele seguiu viagem e aportou na cidade maravilhosa.

No dia 7 de outubro já eram mais de 50 contaminados, especialmente nos cortiços de Niterói, onde moravam a maioria dos trabalhadores portuários. No dia 10, já tinham 400 doentes no hospital militar. E o número só aumentava. Estádios, escolas e outros lugares públicos eram transformados em hospitais de campanha, porque os hospitais não davam mais conta de atender aos contaminados. Faltavam coveiros. Parentes jogavam os cadáveres de seus familiares na rua, assustados, com medo de se contaminarem, porque ninguém sabia do que as pessoas estavam morrendo.

A gripe espanhola matou 20 milhões de pessoas no mundo, cerca de 1% da população da época. No Brasil, o auge da gripe foi entre setembro de 1918 e janeiro de 1919. Estima-se que 35 a 40 mil pessoas tenham morrido. Foram 17 mil mortes no Rio de Janeiro, oito mil em São Paulo e cinco mil em Porto Alegre.

Mas, já dizia Karl Marx, “a história sempre se repete, como farsa, ou como tragédia.”

A PANDEMIA DO MOMENTO: A COVID-19

O mundo tem acompanhado o avanço da COVID-19 desde o início deste ano. Em menos de três meses, o surto, que surgiu em Wuhan, na China, chegou em todos os continentes, fazendo com que a OMS (Organização Mundial de Saúde) declarasse alerta global de pandemia. O Ministério da Saúde confirmou o primeiro caso de coronavírus no Brasil em 26 de fevereiro. Na primeira quinzena de abril já eram cerca de 30 mil casos e quase duas mil mortes no país.

De acordo com a OMS, até o último dia do mês de maio, o número de casos confirmados em todo o mundo passava de 6 milhões e 371.700 mortos. No ranking mundial entre os países, o Brasil só perde para os EUA, com 514 mil casos confirmados e o número de óbitos passando de 29 mil, conforme dados contabilizados pelo Ministério da Saúde. Em alguns estados, como no Amazonas, Ceará e até mesmo na cidade maravilhosa, Rio de Janeiro, o sistema de saúde entrou em colapso. Faltaram leitos, respiradores, profissionais da saúde, e até mesmo covas para enterrar os mortos.

OS ENSINAMENTOS

Enquanto não existe a cura, cabe aos governos adotarem diferentes medidas na busca de mitigar o avanço da pandemia e evitar o colapso no sistema de saúde. Uma das formas adotadas foi o isolamento social, evitando o contato entre as pessoas e possíveis contágios. A medida tem se mostrado uma das mais eficazes.

E se lá no século passado muitas vidas se perderam pela ignorância, agora é na ciência de dados que alguns governos estão embasando suas estratégias de distanciamento social e conseguindo controlar o avanço do vírus.

Não há dúvidas de que é nas várias esferas da ciência que vamos encontrar o controle e a cura da doença. E a tecnologia, mais do que resolver problemas atuais, deve nos preparar para os próximos enfrentamentos.  

Por Rosani Sartori Müller da Silva

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